Compreensão e Formação Musical
Existe uma grande diferença entre ser um Instrumentista e ser um Músico, no nosso meio musical tanto profissional como amador, na sua Igreja, Banda e etc, existem grandes instrumentistas, eles são técnicos, virtuoses, e são admirados por isso, mais eles infelizmente não são Músicos.
Mas Por que?
Papel do Musico
Na idade Média, havia uma separação entre os teóricos, prática e músicos “completos”. O teórico era aquele que compreendida a construção da música, mas não a executava (Ocasionalmente encontramos certos reflexos desta concepção nos musicólogos atuais). O Prático, ao contrário, não possuía qualquer conhecimento teórico a respeito de música, mas sabia tocá-la. O Musico Completo, o que era tanto teórico quanto pratico. Este conhecia e entendia a teoria, mas não a considerava como uma coisa isolada e dissociada de uma pratica auto-suficiente; Quem representa atualmente este tipo de músicos, são os compositores, ele possui o saber teórico, conhece as possibilidades praticas; mas falta lhe o contato vivo com o ouvinte, com as pessoas que têm uma imperiosa necessidade de sua musica.
Sem dúvida alguma, ele carece daquele desejo vivo com o ouvinte, com as pessoas que têm uma imperiosa necessidade de musica. Já o pratico, o instrumentista, é em principio tão ignorante como era há vários séculos. Ah ele só interessa a execução, a perfeição técnica, ovação em concerto, ou o sucesso. Não cria musica, ao contrario dos músicos de época anteriores que só tocavam obras de seus contemporâneos.
Nossa vida musical, portanto, encontra-se numa situação fatal: por todo lado há óperas, orquestras sinfônicas, salas de concerto, enfim, uma rica e variada oferta para o publico. Mas não tocamos musica que compreendemos, é tudo feita em outra época.
Formação dos Músicos
Quanto à formação dos músicos, esta se dava da seguinte maneira em épocas anteriores: o músico formava aprendizes de acordo com a sua especialidade. Havia uma relação entre aprendiz e mestre na música. Ia-se a um determinado mestre aprender com ele o “oficio”, sua maneira de fazer musica. Há em todo desenvolvimento algumas interessantes rupturas que passaram a questionar e modificar a relação entre mestre-aprendiz. Uma destas rupturas foi a Revolução Francesa. A relação mestre aprendiz foi substituída por um sistema, por uma instituição: o conservatório. Poder-se-ia qualificar o sistema deste conservatório de educação político-musical. A Revolução Francesa tinha todos ao seu lado, logo percebeu que, com a ajuda da arte, em especial da musica, se poderia influenciar as pessoas. Naturalmente que o aproveitamento político da arte para clara doutrinar o cidadão.
No Método Francês, tratava-se de integrar a musica ao processo político geral, através de uma minuciosa uniformização dos estilos musicais.
Conservatório e novo Método Francês de Ensino de Musica
A musica deve ser uma “língua” que todos entendam, sem precisar aprendê-la. Estas exigências só foram necessárias e possíveis porque a musica da época precedente dirigia-se primeiramente aos “cultos”, às pessoas que aprenderam a linguagem musical. A Educação do Ocidente sempre foi parte integrante e essencial da educação. Quando se renunciou à educação musical tradicional, as comunidades elitistas de músicos e ouvintes cultos deixam de existir. A partir do momento em que a musica deve ser dirigida a todos, que o ouvinte não precisa mais compreender nada de música, torna-se necessário eliminar qualquer discurso que exija compreensão; o compositor precisa escrever uma música que, da forma mais fácil e acessível possível, se dirija diretamente à sensibilidade do publico.
Nestas condições, Cherubini colocou um termo na antiga relação mestre-aprendiz no conservatório. Ele encomendou às grandes autoridades da época obras didáticas, que deveriam realizar, na música um novo ideal de igualdade. Foi neste contexto que Bailtot escreveu a ARTE DO VIOLINO e Kreutzer se ESTUDOS. Os mais importante professores de musica da França precisavam consignar as novas idéias do sistema rígido. Tecnicamente, tratava-se de substituir a retórica pela pintura. Foi assim que se desenvolveram o “sostenuto”, a grande linha, o legato moderno. Esta revolução musical foi de tal forma radicalmente levada adiante que, em algumas décadas por toda a Europa, os músicos passaram a ser formado pelo sistema do conservatório.
Conclusão
O fato de você tocar um instrumento, não o torna musico, mais podemos resolver isto estudando, o que é preciso para você ter uma formação completa musical você precisa conhecer, História da Música Ocidental, Linguagem e Estruturação Musical (Antes chamada de Teoria Musical), Harmonia, Contraponto entre outras matérias importantes. Todos estes estudos se refletem na maneira que você executa o seu instrumento, a todo o momento que você abre o hinário da sua igreja, o arranjo do seu maestro, ali esta ocorrendo uma passagem com contraponto, uma harmonia, existe notações musicais a qual você deve conhecer para poder executar corretamente a peça, e aquele estilo de música que você acredita que seja novo e do nosso século pode ser um estilo muito mais antigo do que você imagina, como Renascentista, Barroco, Clássico, Romântico ou Contemporâneo. Tudo existe um passado, e que muito importante você ter claro isso na sua cabeça, nada é novo a musica do nosso século é a Serialista, Atonal, Musica Eletrônica, Jazz (Isto engloba tudo que é tido por musica atual, Blues, Funk, Soul, Rock etc, tudo saio do Jazz – mais isto é outro assunto que será discutido em outra oportunidade). Isto já é “meio caminho andado” para você tornar um grande músico, não é necessário você ser um grande instrumentista para ser um grande musico, que o mais importante. Pense nisto!
Matéria por Israel Cardoso para o site da Orquestra Filarmônica Adnipo e Coral Adnipo
Princípios fundamentais da Música e da Interpretação
Bibliografia: Harnoncourt, Nikolaus “O Discurso dos Sons”, Jorge Zahar Editor, 1984.
Trabalho de Repertório da FAAM – Professor Sidney Molina